Há merdas que não tenho que engolir

Uma delas são bocas dos frustrados que ficaram com o cu enfiado na Tuga enquanto as coisas estavam quentes do outro lado, desenvolveram os preconceitos que já traziam dos atrasados mentais que eram os seus pais e agoram apontam as armas para os pulas que vão ganhar a vida para Angola. Outra é a verborragia da malta que está de alguma forma ligada ao poder (de agora ou da altura da independência) e ainda espalham aos sete ventos que o país (Angola) está assim porque o branco português voltou para roubar o que não conseguiu quando cá estava como colono e usam frases do tempo da ditadura, mas não tomam uma atitude que seja para melhorar o nível de vida dos seus “irmãos”. Há ainda a verborreia diarréica daqueles que nasceram e viveram toda a sua vida em Portugal, mas que agora se lembraram que são angolanos porque os pais o são e então podem disparatar tudo o que quiserem acerca dos portugueses que foram trabalhar para Angola, só porque eles não têm formação para ir para lá. Para finalizar, o linguajar de pseudo-intelectuais que misturam um pouco de tudo o que escrevi anteriormente, que só não carimbam a terra com o seu nome porque não os deixam e se acham na qualidade de definir quem são os bons e os maus imigrantes (sendo que os portugueses, vá-se lá saber porquê, são todos maus). À grande puta que os pariu!

Eu sou português, trabalho fora do meu país porque ganho dinheiro que não consigo ganhar na minha pátria e não ando a mandar bocas aos estrangeiros que trabalham em Portugal. Porquê? Porque faço por separar o trigo do joio. É certo que muitos emigrantes de Leste, por exemplo, vão para Portugal trabalhar na construção civil e outros aparecem envolvidos em acções ilegais, mas também é certo que muitos deles têm valor acrescentado e cursos superiores e educação e… mais-valias para o país. Não é disso que se trata? A emigração não favorece os países quando traz mais-valias? Porque vem sempre a merda da conversas dos “pulas” ao de cima? Frustrações que nunca saíram da jinguba, que alguns chamam cérebro, de dúzia e meia de mentecaptos. Então e os langas? Qual é a mais-valia que trazem a Angola? Porque é que ninguém critica os zungueiros do Congo e da Zâmbia? Porque é que eu hei-de aturar comentários do tipo “Cuidado que ganhas muito mais do que a maior parte da população e eles não vão gostar disso e podem revoltar-se.” quando a maior parte dos casarões e maquinões estão na mão de nacionais e de negros? É pela cor? E os elementos da “África branca” que se passeiam nos tubarões e nos barracões deles, espalhados pelos musseques, não se paga um (1!) imposto ao Estado? E os trabalhadores angolanos que dão o suor por estes tipos e são despedidos por dá cá aquela palha e vão para casa de mãos a abanar? Então e estes, o que é que chamam a Angola? E o que é que dão a Angola?

Mais bonito ainda 🙂 Há gente com estas ideias que escreve livros 😀 Eu confesso que tenho curiosidade em dar uma vista de olhos, mas terei que esperar que alguém mo empreste ou ofereça, que ser eu a dar dinheiro a um inergúmero destes… prefiro jogar no Luanda dá sorte. Fica aqui a dica. Até porque as FHM e MH do meu WC já foram lidas e relidas.

Ah, e tem cuidado que andas a ganhar dinheiro aí para o meteres no teu país. Olha foda-se! Até os angolanos fazem isso, ganham dinheiro em Angola para o meter em Portugal 🙂 Eu gasto mais em Angola do que o que meto em Portugal. E agora, isso faz de mim o quê? O branco que continua a ir comer aos restaurantes caros… Aqueles que têm licenças e alvarás e pagam impostos e os funcionários têm segurança social em dia e cumprem com os requisitos mínimos de higiene e… O “coitado” do angolano tem que ir comer às cantinas, onde alguns gastam mais em cerveja do que eu gasto numa refeição (sim, eu também tenho amigos angolanos e cheguei a ir com eles aos sítios “impróprios”) e não vai nem um tusto para o Estado. Então quem é que anda a tirar o dinheiro para fora? E as filas de horas na Western Union (com um sotaque tipicamente afrancesado) são para investirem o dinheiro outra vez no país? Idiotas.
Outra. O sentimento de posse. A ideia que todos os portugueses vêm para cá para reaver a Atlântida do tempo dos territórios Ultramarinos. Eu nasci no pós-25 de Abril. Que merda de sentimento de posse posso eu ter por Angola? E que caralho de medo é esse que venham tirar-lhes novamente a terra? Ou não é medo disso? Eu concordo que existem elementos na comunicação social portuguesa que não medem o que dizem e fomentam a discórdia, mas não admito que me metam no mesmo saco que esses débeis mentais. Pois as pessoas que me enquadram como tal terei que as meter no mesmo saco dos matumbos que têm aqueles comentários fabulosos no Angonotícias. Mentalmente diminuídos!
E a merda da raça que tem sempre que vir ao de cima? Como diz o outro, Cóna! Eu fui criado para ter respeito por valores, não por raças. Qualquer conversa que envolva as frustrações destes imbecis (sem desprimor para as pessoas com QI’s entre os 20 e os 49) que disparam estes bitaites desmesurados tem que ir ter à cor. Ou porque é mulato e agora já quer ser negro, ou porque é branco nascido em África e antes maltratava os negros e agora quer ser negro também, ou porque é mulato que quis ser negro e agora quer ser branco outra vez, ou porque… Caralho, eu não vou a um bar no Algarve e começo a queixar-me que todos os empregados são loiros de olhos azuis. Das melhores que ouvi foi um frustrado, in vino veritas, que dizia que com a nova lei os mulatos já eram negros, no BI ia deixar de aparecer raça mista (isto num sítio onde eu era o único caucasiano – branco, para os desatentos). Ora, pela tonalidade de pele eu era mais escuro do que ele. A que outro “valor” se estaria ele a colar? De onde viria esta força imensa que transforma indivíduos de dentro para fora, mas em vez de ser em princípios e valores reais se expressa em melanina? Camaleões? Gosto de um, Mr. David Bowie. Complexos de inferioridade que só têm razões de existir numa mentalidade fraca.
Esperem, querem raças, cores e nacionalidades misturadas? Então e esta: os amarelos? (ui, agora é que parti a loiça toda) Sim, esses senhores que vêm dar essa enorme força para o impulso nacional, essa salvação vinda do oriente, essa força de trabalho imparável movida a Mao Tzé-tungs que nega água aos angolanos? Para onde vai o dinheiro deles? Os trabalhadores de base (que devem ser estes que os retrógrados costumam criticar quando falam dos portugueses, mas como metem os “colonos” todos no mesmo saco…) chineses gastam o dinheiro onde? Que dinheiro que caralho, homem! Eles mal ganham para alimentar as famílias lá… E depois fazem biscates cá. Fabuloso! Mais um contributo excelente para o desenvolvimento da sociedade angolana: centenas de milhar (milhões?) de expatriados a fazerem trabalhos por fora que podiam ser os angolanos a fazer, sem pagar impostos, sem trazer mais valias em termos de know how, sem deixarem dinheiro na terra,… Mas fazem rápido. Fazem sim senhor, mas ‘depressa e bem não há quem’. Espero sinceramente estar enganado e que tudo corra bem em termos das obras que fazem por Angola. Esperem, já não dá. Aquele edifício dourado na Avenida do 1º Congresso já é uma aberração 🙂 Mas não se vai criticar o coitadinho do chinês. Não! Eles que têm um respeito imenso por tudo o que são direitos humanos são os verdadeiros salvadores desta terra angolana. Serão eles que imitam tudo o que fazem que vão trazer novas ideias para a educação e crescimento deste país. E de graça, que eles são muito bondosos (os acordos que envolvem o pagamento em barris de petróleo funcionam como uma garantia, no fim eles devolvem) e não fazem isto por interesse. Como se pode ter umas palas tão grandes? É certamente para compensar a falta de cérebro.

São coisas que por norma ignoro e nem dou tempo de antena, mas que não posso deixar passar incólumes quando tenho que as aturar em “casa de amigos”. A hipocrisia tem limites. Por norma vai-se à casa de alguém porque se gosta do anfitrião ou das pessoas que lá encontramos. Não se culpa o anfitrião e tenta-se manter o nível, mas por vezes levamos com cada merda…

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14 respostas a Há merdas que não tenho que engolir

  1. gugu diz:

    Dá-lhe mano!!! Mas olha que por cá vai a mesma merda… Parece que neste país brotam mentecaptos como brotam papiolas na Primavera e olha que muitos são “letrados”, prof. dr. e tal… Como deves calcular na minha profissão também tenho que aturar muita trampa…

    Um abraço e vêmo-nos na sexta…

  2. engricky diz:

    Como se diz por terras angolanas: ‘Tamos juntos! 😉

  3. Bibbas diz:

    Ouch!!!!o senhor está zangado :):):):!!! O que me consola, é que a maior parte dos comentários xenófobos que oiço em casas que visito, são de gente fim de carreira..e espero que não tenham muito impacto…mas aqueles vindos de gente que representa o futuro da nação…ufff são perigosos!!!!

  4. engricky diz:

    Agora estou calmo. Incha, desincha e passa 😉
    Até o frio e chuva que estão pela Tuga me sabem bem hehe

  5. migas diz:

    Clap, clap, clap… Às vezes também me apetece dizer um “ai o caralhete” porque já não suporto certos comentários. Assim de repente, acho que estou a perceber porque inchaste assim tanto… mas ainda bem que já desinchou. :D… Olha, eu nos últimos dias andei mais preocupada com o violento assalto que fizeram à menina. E por isso, qualquer comentário menos simpático em relação à minha estadia em Angola, acho que era corrido a muita asneirada… Por isso… bico caladito. 😉

    *Escusado será dizer que não tenho o seu número e o menino também já não tem o meu.

    Boas férias para ti e para mim… na chuvinha.. ;.)

  6. Telmo diz:

    No outro dia ouvi estas…:

    “Os Argentinos são todos uns F.D.P.) – de um Brasileiro que não recebeu um certo pagamento de uma empresa Argentina, mas que nunca visitou o país.

    “A Argentina é muito melhor que o Brasil. (Cá entre nós, não tem pretos!) – de um Argentino que vivia no Brasil hà 24 anos e por sinal, bem moreno.

    A isto é que eu chamo globalização! Só dá pra rir.

    Aqui todos se queixam do governo, mesmo aqueles que deram o golpe e estão a receber pensões indevidamente, mas o que é facto, é que ninguém mexe uma palha pra mudar seja o que for.

    E preciso deixar também isto aqui… Os idiotas dos políticos lembraram-se que estavam a ficar sem ideias pra serem re-eleitos nas próximas eleições e lembraram-se de lançar o orçamento participativo. Eu tenho presenciado as reuniões e tentado contribuir da melhor forma para o melhoramento da minha cidade. Na primeira reunião que atendi, falou-se bastante sobre o uso indevido da água durante umas horas e no final perguntaram aos presentes que ideias tinham para o investimento do orçamento no seu bairro. Levantaram-se dois e responderam… -“Quadra de Futebol”. Ora vamos lá fazer as contas… se foi o povo que votou nesses gajos, o que é que estávamos à espera!? 🙂

    Abreijos

  7. engricky diz:

    Serão entregues 😉

  8. Miguel A. diz:

    calma, sr. Eng.º…

    Depois da ultima ‘refrega’ no espaço da que anda, jurei para nunca mais me exaltar com merdas dessas e acho mesmo que o melhor é desligar da corrente quando se começam conversas dessas. É que dar troco a pobres de espirito tb n nos beneficia nada, né?…

  9. engricky diz:

    Ora… Por isso é que eu desabafei aqui, nesta casa, para não lhes dar troco.
    De vez em quando tem que se soltar o gás (não confundir com soltar um gás).

  10. Miguel A. diz:

    lol. Mais valia soltares um gás em casa de quem ouviste esses comentários, ficavas 2 em 1 🙂

  11. Cármen diz:

    É lecas!!! É isso tudo!!
    Costumo perguntar-lhes se existirá alguma nação mais racista do que aquela que coloca a “raça” no BI…nunca obtive resposta. Mas isso também não me preocupa nada porque quero mais é que gente desse tipo se f*da…

  12. engricky diz:

    😮 Há alguém que tem uma atitude ainda mais… directa que a minha.

  13. Miguel A. diz:

    Retirado do post da que anda…

    Luiz Alçada Diz:
    Junho 21, 2009 às 4:06 pm
    Meu caro Fernando com quem não convivo há mais de 30 anos.
    Na altura bancário, agora membro importante da Nomenklatura e sem tempo para frivolidades.
    O Arménio, meu compatriota, é mesmo bom , custe o que te custar. Não ganhou por politica mas por ser poeta a sério e não “poeta mediocre”. Leste a entrevista no Novo Jornal?
    Não o deixes cá entrar porque o Arménio é um poeta desbocado e diz o que lhe apetece e não o que é politicamente correcto.
    Li o teu livro e gostei.
    Um abraço,

    Luiz

    Bom, caguemos nisso e vamos mas é trabalhar. Nestas alturas perco a fama de rapaz pacato…

    Então Migas, só agora li com atenção o q escreveste: tudo bem, dentro do possível?

  14. engricky diz:

    Hehe. Eu gostava de ouvir mais umas opiniões da malta que se dava com artistas destes no outro tempo, tipo a do Kaposso nos Predadores 😀 Aí é que se descobririam umas quantas carecas, digo eu.
    A imagem de rapaz pacato ficará para sempre, caríssimo. Só quem não conhece pessoalmente poderá pensar outra coisa 😉

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