Viagem ao Planalto Central (1ª parte)

25 de Maio, Dia de África, feriado nacional em Angola. 10h15 estou com a frente do bólide a entrar na nova auto-estrada em direcção a Viana/Catete. No rádio a Directora do PNUD, Gita Welch, tecia umas considerações fabulosas sobre os efeitos da alta incidência do vírus da SIDA em África nomeadamente no número de população em idade activa e na falta de crescimento económico que advinha do facto de alguns países terem 25% da sua população “à espera”. Excelente oradora, mas a viagem é longa e estou a precisar de ritmo – Gotan Project, Lunatico. Aí vai.
Às 11 horas, depois de ter passado pelas duas bombas de gasolina de Catete (abandonadas, tipo faroeste), tenho que recorrer aos bidões em frente ao mercado. Salvadores de diversas incursões, rapinam-me os bolsos, mas deixam-me o depósito cheio. Jóia, agora só páro no Dondo.
Estrada aberta até à Maria Teresa, vidros abertos, ritmo vibrante, temperatura excelente, sol,… Todas as viagens haviam de ser assim. Ia bem uma companhia, mas também não se estava mal sozinho. Lembrei-me dos cambutas que estariam a vir de Malanje e que nos podíamos encontrar no Dondo para almoçar. Tentei ligar, mas não havia rede naquele troço. A estrada estava um pouco danificada e tive que alterar as condições climatéricas no cockpit: fechar os vidros, ligar o AC e mudar de som – os velhinhos Aerosmith para mandar uns berrinhos esganiçados. Crazy. Show! 🙂
Cheguei ao Dondo eram umas 11h45. Abanquei numa fila de gasolina mesmo em frente ao Kwanza e aguentei ali uns 20, 30 minutos a olhar para as “esplanadas” do outro lado da estrada e a pensar que se tivessem um bom peixinho (que não fosse cacusso, claro) iria lá fazer uma perninha. Ainda nem tinham acendido as brasas ao meio-dia e um quarto… Fiquei-me pela foto 😛
Dondo
Estava mais bem disposto do que parecia, o sol é que estava a dar de frente e tinha que semi-cerrar as vista. 🙂
Ah, todas as fotos desta incursão tiveram que ser tiradas com o baile. Sorry about that.
Ora, o almoço lá teve que ser na estação de serviço à saída do Dondo (ressalvo o atendimento ligeiro e a bela da Eka, claro) e às 14h15 já estava na estrada outra vez.
Na zona do Libolo apanhei esta pontezinha e achei engraçada a disposição do Kwanza: antes da ponte agitado e rochoso, depois da ponte calminho e com praia fluvial e tudo.
KwanzaNoLibolo
Já tinha passado por uns Franz Ferdinand e encaminhava-me para uns Interpol, quando me começa a surgir a orogenia do Planalto Central.
Orografia1
Fabuloso.
Atestei no Wako Kungo, pelo sim pelo não, e segui em direcção ao destino final – Huambo. Ainda apanhei mais um “monstro de pedra”
Orografia2
E cheguei por volta das 17h30 ao Huambo.
Fui a uma casinha de grelhados e enfardei como um lord enquanto ouvia System of a Down na esplanada 😀 Vi logo que havia aqui qualquer coisa de diferente, mas isso fica para outra história. Deixo-vos o trajecto da viagem, aproximadamente 600 km, num mapa do tempo do colono (não encontro o meu…).
MapaViagem

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6 respostas a Viagem ao Planalto Central (1ª parte)

  1. Bibbas diz:

    Gostei do relato…comecei logo por me lembrar da voz “finíssima” da Gita Welch!!! Sabes que ela é Moçambicana?!Já fiz várias viagens por esses destinos, mas na altura demorava o dobro do tempo…e tb não bebia Eka!!:):) belas fotos…

  2. engricky diz:

    Hehe, mas adoro ouvi-la falar. Dá um tom grave mas esperançoso à coisa. E não, não sabia que era moçambicana.
    As fotos saíram estas porque as restantes ou estavam tremidas, ou tinham um carro no meio, ou aparecia um volante,… 🙂 Obrigado na mesma.

  3. kianda diz:

    Belo baile … as fotos tão muito fixe 😉
    E realmente tavas com cara de mau 🙂

  4. Miguel A. diz:

    epá, desculpem a ignorância, mas só 600 kms até ao Huambo?

    Partida 10.15 e chegada às 17.30? pensei que fosse bastante mais…

  5. engricky diz:

    Pé pesado… hehe
    O mais engraçado é o número redondo. Podiam ser 615 ou 590 km, mas estava a entrar em Catete vindo do Huambo e o conta-quilómetros marcava 540km certinhos. Parece que foi alguém com uma régua “Ok, 600 km. É aqui que vai surgir uma nova cidade.” 🙂
    Ah, para o Waku Kungo são 400… e dez km 😛 E durante a semana parece uma cidade do faroeste. Só faltam as sebes secas ao sabor do vento. Para o caso de alguém ter que ir lá nos próximos tempos… 😮

  6. pp diz:

    ca’ na provincia nao ha’ km e, qd alguem pergunta arredondam-se 😉

    belas paisagens que tem a terra das miudas mais giras!

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