Felizarda só de nome

Há alturas em que eu desespero por não poder gravar alguns programas de rádio. Foi assim na passada 3ª-feira enquanto me deslocava para casa, sintonizei a LAC e apanhei uma entrevista com a melhor cestinha (melhor marcadora) do Campeonato Nacional de Basquetebol Feminino.
Apanhei a entrevista desde o início e o que me captou a atenção foi o facto da entrevistada ter um sotaque bem carregado e eu e a dama pusemo-nos a tentar descortinar a província de proveniência. Após uns 5 minutos de silêncio, apenas interrompido por umas gargalhadas fortes, desistimos, mas não mudámos de estação pois queríamos ver onde iria parar tal espectáculo. A entrevista começou com as habituais apresentações no estilo pergunta-resposta, seguida de várias questões relativas ao jogo e à atleta enquanto jogadora e, numa segunda fase do programa, o entrevistador correu o alfabeto todo pegando em uma ou mais palavras iniciadas pela letra respectiva e inquirindo a entrevistada acerca do significado para ela das palavras.
Não é bonito gozar com as peripécias linguísticas que por cá se praticam até porque eu compreendo algumas dificuldades que houve na transição para o português vindo de idiomas nativos, como por exemplo o caso dos plurais que nas línguas nativas eram conjugados com prefixos e que no português levam apenas com o sufixo “s” e criam a confusão que sabemos.
Mas já chega de treta, passando à narrativa: Eram tantas as calinadas que esta senhora dava na gramática que a dada altura a dama se vira e diz “Esta rapariga não acabou a primária…”. Pois assim parecia, não fora o entrevistador realçar na precisa altura em que a dama acabou de constatar tal situação que a basquetebolista frequentava o curso de Gestão de Recursos Humanos numa UNIVERSIDADE. Pois é, a moçoila de 23 anos já trabalhou como secretária no Ministério das Finanças, frequenta actualmente o ensino superior e não consegue construir uma frase com mais de 6 palavras sem desatar ao biqueiro à língua portuguesa. Porque será? A determinada altura a palavra escolhida pela entrevistador foi Sacrifício e eu achei ter descoberto a razão de tal logorreia, senão vejamos:
Ela – Ahhhh, é uma coisa (ah, e todas as palavras eram “uma coisa”) que eu pratico todos os dia, né? Tenho que ir à escola, ficar lá TOOOOD’á tardi, ir aos treino di noiti e ainda ter qui voltar à casa.
Ele – E o que costuma fazer quando chega a casa?
Ela – Ahhhh, vejo boneco. Eu sou VI CI ADA em boneco.
Ele – Tom e Jerry?
Ela – A DO RO! Só di pensá começo à ri, hi hi hi.
Pois para esta senhora, como fui percebendo ao longo da entrevista, esta rotina é um sacrifício e os “boneco” são a educação dela. Esta mentecapta estuda na Universidade, e pretende mudar para Direito :o, quando chega a casa depois dum dia cheio de stress (isto acho que se chama ironia) estatela-se a ver bonecos no Disney Channel e acha que a vida é difícil. Mais, ainda se acha na qualidade de dar conselhos:
Ele – Droga.
Ela – Ahhhh, é uma coisa muito má. Jovens, não si mete nas droga, sejem elas quais for: álcó, cannabis, bibida,… Vocês agora são jovem, antes foram criança, né?, e a seguir são velho, e as droga não faz nada bem.
Perguntam vocês, como é que esta personagem chegou ao ensino superior? Pois… não sei, mas o papá deve ajudar. O papá e outras qualidades que ela tenha…
Ele – Letra kapa: Qualidades. (é verdade, o entrevistador também não ajudava)
Ela – Ahhhh, é uma coisa que graças a Deus eu tenho muito. Eu às vezes em brincadeira com a Marisa digo mesmo “Ahhh, eu sou uma gaja muito boa” e ela ri-se e se divertimos as duas assim.
Pois, porque tanto pelos elogios do radialista (isto está no acordo ortográfico, certo?) como pelas 100 vezes que ela o referiu eu deduzi que a Felizarda devia ser mesmo uma brasa. Pena que “nos cabeça”… só cinzas. Quem sabe um dia não vou ver um jogo dela? Para me partir a rir outra vez, claro 😀

Só espero que isto não seja generalizado no basquetebol, porque correm umas estórias dum tal Bana que quando chegou dos States, após ter lá ido fazer umas provas, deu a seguinte tacada:
Entrevistador – Então Bana, o que é que foi mais difícil nos Estado Unidos?
Bana – A língua. E ver aquelas criancinhas tão pequeninas a falar tão bem o inglês.
Alguém conhece algum software gratuito para ouvir rádio local no PC? É que o WMP que tenho não ajuda 😛

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