Assaltos em Luanda MCXI

Estava ontem a dar uma vista de olhos ao blog da Casa de Luanda quando reparei que a Migas tinha sido vítima de tentativa de assalto.
Bom, é comum pensar que quem anda por Luanda se sujeita a assaltos. Eu até há pouco tempo não pensava assim. Porquê? Eu nunca fui assaltado. Já fui roubado muitas vezes desde que cá estou, mas assaltado não. Pensava eu, após várias experiências contrárias, que era só manter-me afastado das potenciais situações de perigo que não haveria problema. Pensava eu… Acontece que há cerca de 3 meses tive contacto com situações como as vividas pela Migas. Uma exactamente igual, em que o assaltado ficou a olhar para os assaltantes com cara de “Não me venhas chatear logo de manhã, pá…” e arrancou mal o carro da frente começou a andar, e outra ligeiramente diferente em que o interpelado ameaçou atropelar um dos meliantes e os condutores à sua volta começaram a sair dos carros para colocar os delinquentes em fuga (no fim os filhos da puta subiram a um morro e começaram a atirar pedras aos carros).
Eu passo horas no trânsito e tenho o cuidado de evitar as zonas mais perigosas, de não fazer o mesmo trajecto consecutivamente, de deixar espaço para os veículos da frente no caso de precisar de fazer alguma manobra, de trancar sempre as portas, de não deixar muitas coisas à mostra, etc. Se um cabrão desses me aparece a dar murros no vidro o que é que eu farei? Tenho um amigo que foi assaltado à mão armada e arranjou uma solução muito simples: deu a volta e atropelou o animal. Cruel? Bárbaro? “Coitado, se calhar roubou para comer”!!!??? Hum…
Quando cá cheguei ficava chocado pela forma como a polícia tratava os bandidos, como os surrava indescriminadamente quando os enfiava debaixo dos bancos dos “comboios”(designação nos bairros para as pick-up Toyota da polícia). Comecei a ouvir estórias de tipos que matavam porque o telemóvel não era da rede que eles queriam (os da Movicel não usam cartões normais), que matavam porque um dos assaltados os reconheceu (como aconteceu a uma jovem estudante no Cazenga no ano passado), que matavam porque o assaltado tinha feito um movimento suspeito (como aconteceu a 2 tugas em frente ao Josina Machel em plena fila de trânsito), que no Rocha Pinto assaltam com uma pedra na mão e uma catana na outra (não vá um gajo não querer abrir o vidro) e o choque desapareceu. Comecei a compreender. Comecei a achar normal as rusgas pelos bairros problemáticos, os “suicídios” colectivos de membros de gangs (“atiraram-se do 5º andar”), os presos que chegam à prisão todos inchados,… Comecei a achar normal porque depois destas incursões hà períodos de calma em que ninguém fala de assaltos. Por exemplo, havia uma técnica de assalto com as scooters: paravam a mota ao lado do motorista, o pendura apontava a arma e limpava a viatura. Num belo dia a polícia fartou-se e fez uma rusga na baixa da cidade. Apanhou 30 indivíduos em “flagrante delito” (:DD esta partiu-me todo). O certo é que dessa altura para cá nunca mais ouvi falar de assaltos com motas rápidas.
“Eu acho que não teria coragem de atropelar alguém.” Fácil de dizer com o cuzinho sentado em frente ao computador dentro de um escritório guardado. E depois de me terem apontado uma arma? E depois do coração começar aos pulos e a adrenalina ter corrido todo o corpo e retesado todos os músculos? Depois da razão ter sido atropelada só resta a estupidez…

P.S. O título deste post, Assaltos em Luanda, é o título de um dos filmes mais badalados de cá que já vai na sequela.

P.P.S. “Cota, passa só a mascote e o baile!” Quem descortina esta? 😛

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23 respostas a Assaltos em Luanda MCXI

  1. migas diz:

    Fui sim senhora. E preferia não ter sido. Eh pá, não fosse a minha parvoíce da altura, ao não perceber que um assalto era assim e talvez o desfecho tivesse sido menos positivo. É quase impossível podermos evitar estas situações. No meu caso, foi em pleno dia, num sítio normal (ali perto do largo do ambiente). Não me parece possível evitar estes sítios tão normais. Olha, é arriscar e, ter cuidado com a exposição das cenas dentro do carro. Agora, e porque as coisas acabaram bem até te posso fazer piadolas. Quer-me parecer que os bandidos vão inventar uma nova forma de assalto para os “loiros” como eu, saberem que estão a ser assaltados. Se a menina não pára com o “dá tudo o que tens” o gajo, escreve num cartão em letras grandalhonas “Isto é um assalto”. No verso: “Dá tudo o que tens”… Pode ser que assim, a garota perceba… ah ah ah E mesmo assim… hummm, não sei não. 😉

    O filme, vi em PT. Um dvd pirata que um ex-trabalhador me arranjou. E também já ouvi falar sobre a sequela. eh eh eh

  2. engricky diz:

    Se não és tu a lembrar-me que és loira… Agora todos vão ficar a pensar que o outro que “não se apercebeu” que estava a ser assaltado também era loiro 😀
    Pois, o Largo do Ambiente é “seguro”, mas tens logo ali ao lado o Compão que já deixa algumas dúvidas. Na Gamal Abdel Nasser, quem sobe para o Kinaxixe, já me tentaram abrir as portas à hora de almoço.
    Por acaso ainda não tive paciência para ver o filme.
    A mascote e o baile, sabes o que são? 😉

  3. migas diz:

    Não sei, não. Ou tu pensas que sou angolana como tu?! 😉 Ok, eu sei que não ganho o comando. Temos pena. Porém, posso sempre fazer a minha tentativa (ou será parvoíce?): a mascote é a tua miúda e o baile é o autorádio… E tu olha… ficas sem miuda e musica e vais à tua vidinha, de carro… Menos mal. 😛

  4. migas diz:

    Ah, já agora, e porque me esqueci de referir anteriormente: fica-te muito bem o termo “dar uma vista de ohos”… 😛 Melhor, só mesmo se disseres “dar uma vistinha de olhos”. Gosto mais. 😀

  5. engricky diz:

    😀 És terrível! Melhor ficar com o carrinho e perder a dama e o som. Fizeste-me gargalhar no escritório (está tudo a pensar que sou doido… para variar).
    Parece-me a mim que estás no bom caminho do comando. Queres que inclua uma tecla “Larga A Bola”? 😉
    A mascote é o relógio de pulso e o baile é o telemóvel, de mob(a)ile. Esta malta tem uma imaginação muito fértil.

  6. engricky diz:

    Ó Eng.ª, se a senhora se desse ao trabalho de nos presentear com mais receitas e, em vez dum cara que acha que mouse é uma palavra em português mas agrafador é uma palavra “angolana”, postasse mais umas aventuras na casa eu dava uma vistona, percebeu? 😉
    Vá ver se o Chefe se queixa? Se se queixar é do excesso de asneiras 😛

  7. migas diz:

    Hein??! Em português, please! Não percebi nadica, meu caro… 😉

    Pois bem, a do baile até que está engraçada, vou passar a usar. Mas, a mascote?? Qual é a relação de relógio de pulso com mascote? 😛

  8. engricky diz:

    A da mascote a gira. Deve ser por andar sempre com ela e ter “coleira”… Sabes que idéias não faltam a esta malta.
    Agora vê lá se pões outra coisa nas receitas que não doces, porque eu já estou a ganhar um pneu 😉

  9. kianda diz:

    Muito se trabalha em Angola…touvosaver! Isto parece sala de chat, não têm o MSN ligado?! aahahahahahaha!!! Eu qdo comecei a ler achei q mascote era o mobile, pq anda sempre connosco, mas realmente o people não dorme, essa do baile tá o máximo, tb vou usar, aqui na tuga vai ser giro!!!
    P.S. AH e essa de gargalhar a olhar para o monitor tb já me aconteceu e o pessoal a achar q eu sou louca (pela 1ª vez 🙂 )

  10. migas diz:

    Olha a magra! ah ah ah Oh pá, eu aqui também vou ao xop-xop… Aliás, é xop-xop microwaves, se é que me faço entender! 😉 E não, eu não falo com este menino no msn… No fundo, tenho medo deste bandido… Muito medinho. ah ah ah 😀

  11. engricky diz:

    Medo??? Ó Migas, aquela boca do “grrau” lá no quê era a brincar 😛
    Kianda, a culpa é da Migas que está sempre a responder (parece os putos a culpar os outros) 😀
    Migas, vais à Tuga no Natal? Havíamos de ir beber um copito com a sereia. Aproveitávamos e falávamos da nossa cantina 😉

  12. kianda diz:

    “lá no quê” é genial, o eng apanha todas 🙂
    Eu (a sereia, ehehehe) tou por cá por isso apitem!!!

  13. migas diz:

    “Ó Migas, aquela boca do “grrau” lá no quê era a brincar”
    Continuo a ter problemas de comunicação contigo… 😉

    Em relação ao copito… xacáver. Depende do copito e depende do sítio. A minha kiandita é de Lisboa e eu sou do Porto. Ora, o menino não sei de onde é mas, tenho a sensação que também é do norte… Hummm, queres ver que te estás a oferecer para me pagar o bilhete no alfa para Lx? 😀

    Quanto à cantina: dj sim, voz OFF não. Tinha de marcar presença para tomar conta do sócio. 😛

  14. engricky diz:

    Estava a referir-me a uma piada que te tinha mandado no SD. E eu queria-te para voz off pela acutilância nos comentários e não para estares fora do local 😉
    Essa do bilhete de alfa é mesmo forretice, né? Eu sou do Norte, Braga, mas não me custava nada dar um saltinho a Lx. Muito menos para beber um copo. Vamos deixar a ideia a marinar, ya?

  15. migas diz:

    😀 Então quer dizer que voz off inclui presença? Ah, então está bem. Afinal, não és tão terrível como eu pensava. 😉 Não, a do bilhete alfa era mesmo a migas a armar-se em engraçada. Nas minhas últimas férias fui a Lx almoçar com umas amigas de lá e fui de alfa. Dá para tirar “a” soneca e faz-se muito bem a viagem. Na altura só não incluí a sereia porque não tinha o nr. dela… enfim, ela já sabe. 😛 Mas então, a ires, vais pelo copito em Lx… Estou a ver eng… 😛

  16. engricky diz:

    Claro que inclui presença. Como então você? 😉
    Calma, não vou pelo copito, vou pela companhia. O copito é um bom catalisador 😀
    A primeira vez que voltei a Portugal fiz escala em Lisboa e depois apanhei outro avião para o Porto. Apanhei também uma seca de 3 horas… Apartir daí andava sempre de alfa, tanto a chegar como a voltar. E gosto bastante.

  17. kianda diz:

    Pois aqui entro eu … Um é o copito, a outra só vem se pagarem o bilhete … Tá Certo!!! É aqui que faço birra ou espero + um coxito??!!
    Venham mazé … eu sou bem fixe (e não bebo, posso levar o carro 🙂 ) , e não há modéstia não senhora, sou bem fixe MESMO!!! AHAHAHAHAH.
    Vou mandar o nº do baile por email!!! E marinem marinem !!!

  18. kianda diz:

    Venham almoçar, a migas apanha o eng no caminho, almoçamos tipo mangolé [demora a tarde toda] e depois bazam no último alfa … tipo!!!

  19. migas diz:

    “Calma, não vou pelo copito, vou pela companhia.” Ainda te queixas, kianda? Queres mais o quê? 😛

    Mas, faz birra kianda, faz. Nada melhor do que ver uma sereia nervosa, a abanar a cauda. 😉

    Vamos lá então marinar a ideia. Olhem, considero-me neste momento em estado de marinação. 😀

  20. engricky diz:

    Ok. Tudo em vinha d’alhos com bué de aromáticas mediterrânicas 🙂

  21. kianda diz:

    estado da sereia = [birra]

  22. migas diz:

    E não é que a sereia fez mesmo birra? Passa lá ao estado de marinação para ficarmos todos iguaizinhos. Vá lá, kianda! 😉 Vou-te salpicar (adoro esta palavra) com umas aromáticas! 😛

  23. kianda diz:

    😉 … a sereia é mimada mas não amua por muito tempo!!! Beijo

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