Nova Vida. Ou melhor, adeus Nova Vida.
Os altos desígnios do Senhor (esta malta põe-me assim) levaram-me a retornar ao centro de Luanda e dizer adeus ao Projecto Nova Vida. Para ajudar vim parar a uma das artérias principais da “cidade capitar”, como lhe gosta de chamar em tom de brincadeira o Chefe (que curiosamente agora é meu vizinho).
Rewind
Voltei a trabalhar na minha área base, no centro de Luanda, e os resíduos sólidos urbanos passaram a ser novamente a minha preocupação. Ora, para quem comanda operações que duram 24 horas sobre outras (malditas) 24 horas, morar a hora e meia do local de trabalho é incomportável. Assim como dormir 5 horitas e passar 4 a 5 horas no trânsito, contando com as m’baias que tenho que ir dando durante o dia. Então tive que pegar nas minhas bicuatas e mudar-me novamente para o centro.
Toca de preparar as mudanças, procurar casa, … Esperem, este é “O” filme. Procurar casa em Luanda é de tirar qualquer um do sério. A história de mandar um negro procurar porque se virem o branco aumentam a renda é um tiro no pé. Primeiro porque os valores já estão mais do que repescados e se eu não quiser há quem queira, segundo porque as condições que se querem nem sempre são bem entendidas, terceiro porque vêm-se umas 15 “casas” que não interessam, quarto porque nos fazem perder tempo que não existe, quinto… Não dá! Queres casa, vai vê-la tu. Parti para o terreno, fuçei, fuçei, fuçei e acabei por ter que “baixar o standard” pela falta de tempo e urgência da situação.
Ok, a casa não é na área onde trabalho, mas é no centro. Héééé! É no centro da confusão. O cúmulo foi no Domingo de manhã bem cedo, aí por volta das sete horas (bem cedo para o comum dos mortais, porque levanto-me às cinco e meia), ouvir um polícia com o megafone a anunciar que quem não removesse os carros teria que os ir levantar à polícia porque seriam rebocados. A señorita Clinton iria hospedar-se nas vizinhanças. E rebocaram mesmo! O que me deixou mesmo fodido foi ter havido um estouro aí por volta das quatro e meia que acordou a rua.
Para ajudar, desde que me mudei não há água. Tanquinho bonitinho, electrobomba nova, água… nicles. Mais, os senhores que me vendem a mobília querem-me dar um prazo de entrega de, mais ou menos, dezoito dias. Mais ou menos porque ouvi um senhor a reclamar que estava há semana e meia à espera dos pedaços de madeira pintados e ainda não tinha recebido nem uma cadeira. Já nem falo dos preços praticados, que a malta da Tuga até se coçava. Podia ser pior, podia ter encomendado no IKEA 
O prédio até nem é mau, mas o andar dá-me cabo da paciência e ter que subir 108 escadas porque nos esquecemos duma merda qualquer é de foder a paciência a qualquer um. E a rua… Como o camarada Afonso, também tenho uns vizinhos motards que gostam de pôr a moto quatro a trabalhar à hora que lhes dá na veneta. Mais, têm um amigo com uma mota de trial que não gosta de os ver sozinhos e também liga o motor para dar uns arranques. Já se lembraram de dar umas voltas às duas da matina. Puta que os pariu!
No meio desta nova aventura ainda tenho que programar as obras. Filme do caraças.
As saudades que eu já tenho da calma do Nova Vida…